sábado, 19 de fevereiro de 2011

Capitulo 3: A Floresta

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             Acordei com o sol batendo em meu rosto, eram cerca de 8:30, me levantei e dei uma espiada onde deveria estar a cama de Nayana, aparentemente ela já estava de pé, olhei para a mesa da sala e vi um pacote e um bilhete.
            No bilhete estava escrito “de Tenchi” e como o pacote já se encontrava aberto julguei que se fosse algo para mim e para Nayana ela já tomara sua parte.
            Dentro do pacote havia um belo yukata com o brasão da hospedaria Sora.
            Vesti o presente e notei que a porta estava entreaberta. Fui até a janela ao lado desta e de lá fora vi Nayana em frente a um painel de pintura, já com o yukata, no parapeito que dava de frente para o vale.
            Fui até lá, sentei no murinho do canteiro de flores e comecei a vê-la pintar. A pintura estava apenas no começo, mas já era de se admirar, os traços, as cores era tudo incrível, ela estava perdida em seus traços, estava distraída de tal maneira que não me viu chegar.
            - Está ficando muito bom - falei com a voz meio rouca de quem acabou de acordar.
            Ela deu um pulo de susto e me encarou meio pálida – que susto Otávio! – disse enquanto se acalmava.
            - Por que o susto? Estava fazendo algo de errado por acaso – ri ao perguntar.
            - Claro que não! – Respondeu ela corando – apenas fico envergonhada de me verem pintar.
            - Por quê? A pintura está incrível!
            - Não pela pintura... – e interrompeu o dialogo e começou a olhar atentamente para a floresta no outro lado da ponte onde havia uma clareira – O que é aquilo? – perguntou apontando para alguns arbustos que se moviam.
            - Não sei, mas já vou descobrir! – respondi me interessando e já indo para a ponte, podia ser uma raposa, ou algum outro animal.
            - Otávio espere, pode ser perigoso! – gritou Nayana correndo para me alcançar – não sabemos o que pode ser.
            - Nada de muito perigoso provavelmente – respondi dando de ombros quando ela me alcançara.
            Fomos nos aproximando e o alvoroço nos arbusto se intensificava a cada passo.
            - Estou ficando com medo – sussurrou Nayana que agarrou meu braço a um solavanco mais forte dos arbustos, isso me desconcentrou um pouco e tentei disfarçar enquanto corava.
            - Onde estão indo? – disse forte uma voz conhecida atrás de nós.
            Nayana deu um pulo de susto e eu surpreso logo virei o rosto para o interlocutor.
            Tenchi estava encostado na viga de madeira que sustentava uma das extremidades da ponte usando um yukata da hospedaria, porém mais bordado, enfeitado e tradicional, olhei novamente para os arbustos e estes estavam parados novamente o que quer que fosse foi embora.
            - Que susto! Dois em uma manha! – disse Nayana se acalmando enquanto se escorava em mim, aparentemente havia perdido a força das pernas.
            - Essa parte da hospedaria não esta aberta a visitas, há vários animais perigosos nas florestas dessas montanhas, aranhas, cobras, raposas...- alertou Tenchi
            - Imaginei que poderia ser uma raposa, vimos algo se mexer nos arbustos, vim checar, raposas não são tão perigosas Tenchi – respondi calmamente com um sorriso inocente no rosto.
            - Isso porque não viu a verdadeira natureza de uma- respondeu Tenchi sorrindo após uma risadinha, o que me chocou - gostariam de um café da manha? – perguntou num tom cordial.
            - Seria ótimo – respondi rindo um pouco após essa revelação, Tenchi também ri.
            Nayana que aos poucos foi se recuperando do susto nos acompanhou ainda se apoiando em mim até casa principal da hospedaria que ainda não nos foi apresentada.
            Era enorme, a mobília e a arquitetura interna e externa da casa combinavam com a das cabanas dos hospedes.
            - Aqui, fica o restaurante – levou-nos Tenchi, até uma sala com uma vista para o vale e algumas mesas de jantar – sentem-se, por favor – indicou Tenchi o lugar com a melhor vista.
            - A hospedaria está vazia Tenchi? – Perguntou Nayana
            - Sim, não há hospedes atualmente além de vocês dois – respondeu – só um momento já mando trazer o cardápio.
            Ele saiu nos deixando sozinhos.
            -Err... gostaria de sentar? – perguntei a Nayana que havia afrouxado um pouco o aperto em meu braço mais que não o soltara.
            Ela olhou para meu braço e corou um pouco ao solta-lo – Claro...
            Puxei a cadeira para ela e sentei no outro lado da mesa. Afundados novamente no silencio não consegui arranjar outro assunto se não o que estaria por traz dos arbustos – O que será queestava lá?
            - Nem desconfio – Respondeu Nayna sem me encarar, parece que a distancia que eu havia quebrado na noite anterior havia se triplicado.
             Não falei mais nada e logo veio Tenchi com os cardápios.
            Comemos vários pratos típicos, deliciosos e bem feitos, e Tenchi nos chamou para conversar após o café.
            - Hoje desejam sair para algum parque, por ser domingo nada abre, o que acham?- perguntou-nos.
            - Seria interessante, a Nayana poderia pintar algum quadro não é? – perguntei olhando para ela que corou um pouco mais concordou com um sorriso tímido no rosto.
            Fomos com Tenchi até alguns parques cercados de Sakuras, era incrivel, o Japão, lugar que eu sempre quis visitar e eu estava nele, podendo ir onde quisesse, ou quase... Nayana parou em um destes, esboçou um quadro e disse que pintaria na hospedaria devido à hora do almoço estar chegando.
            Fomos de novo ao restaurante, onde novamente comemos ótimos pratos.
            - querem sair novamente à tarde? – Perguntou-nos Tenchi após o almoço.
            Olhei para Nayana e ela respondeu – Por mim podemos passar o resto da tarde na hospedaria – e olhou para mim que concordei.
Ouvimos algumas conversas altas na cozinha, parecia estar havendo alguma discussão, porém não entendia uma só palavra dita em japonês.
- Podem ir indo, depois os encontro – disse Tenchi serio olhando para a porta da cozinha.
O barulho secou assim que ele entrou, Nayana o acompanhou com os olhos desconfiada, mas logo fomos andando.
            Vai voltar a pintar o vale? – perguntei enquanto voltávamos para onde ela deixou a tela.
            - Sim, e você? – perguntou.
            - Eu vou... – Parei devido à estranheza da visão, um animal verde, parecia um sapo, mas tinha o tamanho de um bebe humano, estava no local aonde vimos os arbustos se mexerem - O que é aquilo? – perguntei apontando para o animal.
            Ela olhou, e estremeceu- não faço nem ideia.
            Corri até lá e aos poucos fui distinguindo a forma, o animal mastigava um pepino, possuía um casco parecido com o de uma tartaruga, e possuía algo parecido com uma planta na cabeça, fazia sons idênticos a de um bebe, e ao me aproximar ele veio farejar meus pés, porém não com um focinho, mas com algo que lembrava m bico de pato.
            Não havia duvidas, aquilo não era um animal, era um Kappa*!
            Eu estava tão atônito que não notei Nayana se aproximando de mim.
            - O que é isso? – perguntou...
            Não tinha como responder me agachei e comecei a afagar a cabeça da criaturinha que começou a se apoiar em mim e apalpar meu rosto.
            Não pude segurar o riso, eu achei um Yokay, uma ayaakshi, algo que não é exatamente desse mundo ou não era para ser.
            O pequeno kappa olhou para Nayana e engatinhou até ela, ela assustada soltou um rito e tentou se afastar, porém tropeçou e caiu sentada um pouco atrás de mim.
            O pequeno também se assustou e correu chorando para o meu colo, eu fique de pé com ele no colo e comecei a acalma-lo – calma... calma ninguém vai e fazer mal... – ele começou a sorrir, e eu soltei uma risada – Incrível!
            - O que e essa coisa o que é incrível? - Perguntou-me Nayana em pânico.
            O kappa começou a olhar assustado para traz, não para onde estava Nayna, mas um pouco mais para trás e lagrimas de medo começaram a escorrer de seus olhinhos negros.
            - O que você fez? – perguntou novamente uma voz conhecida, cujo dono eu poderia ter deduzido se não fosse à cólera transmitida.
            Antes que me virasse Nayana havia se agarrado a minha cintura com os olhos cheios de lagrimas devido ao terror. Virei-me lentamente e lá estava Tenchi, porém seus olhos antes castanhos haviam tomado um tom vermelho sague.
            - O que eu havia dito! – com seu rosto distorcido pela raiva, e o terror me invadindo também, segurei firme o kappa e a mão da Nayana pronto para correr a qualquer momento...
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            *Kappa: É um espírito anfíbio do folclore japonês. Quando plenamente desenvolvido, um kappa tem o tamanho de uma criança de dez anos. Sua pele é escamosa e verde-amarelada; tem cara de macaco, costas de tartaruga; as mãos e os pés têm membranas, para nadar mais facilmente. Talvez seu traço físico mais característico seja uma depressão em forma de pires no topo da cabeça, que deve sempre conter água, para que o kappa possa conservar seus poderes sobrenaturais e sua força extraordinária quando está em terra.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Capitulo 2: Hospedaria Sora

Música tema:
xxxHOLiC_-_Sound_F...
            Assim que saltamos da caminhonete fomos recebidos por um homem careca vestindo Yukata* que parecia ser o dono da hospedaria, ele nos fez uma reverencia e retribuímos.
            - Ele é o senhor Hikari, dono da hospedaria, não fala uma palavra em português...- Disse Tenchi vindo com nossas malas.
            Tenchi começou a conversar com o senhor Hikari em japonês, que deu uma risada reservada e nos deu mais uma reverencia. O que será que falaram? Olhei para Nayana que lançou um olhar de desconfiança aos dois.
            - Siga-me – disse Tenchi subindo as escadas com nossas malas - Os membros da cede inclusive os da cozinha não falam português, por isso qualquer coisa é só me chamar, ficarei no quarto ao lado do de vocês...
            Estava deslumbrado com o estilo tradicional da Hospedaria, as Sakuras* no jardim incrivelmente cuidado, perdi, distraído, os comentários de Tenchi, e logo estávamos em frente a uma das cabanas.
            - Meu quarto é o ao lado, os futons* estão nos armários do quarto, à esquerda, tem um telefone na mesa da sala e se estiverem com fome deve haver uma bandeja de sushis e outros pratos na geladeira- terminou Tenchi para minha total incompreensão.
            - Nós dois vamos ficar no mesmo quarto?! – perguntei confuso.
            - Sim. Foi o que foi pago pelo serviço da promoção... – respondeu Nayana por Tenchi corando um pouco enquanto pegava suas bagagens e levava para dentro.
            Olhei novamente para Tenchi e para dentro da casa.
            - Fique tranquilo – Disse Tenchi com um breve sorriso no rosto.
            Não era uma questão de tranquilidade, era meio vergonhoso estar com uma garota da mesma idade que eu em um quarto no meio do nada. Mas decidi não esquentar com isso e levar minhas coisas para dentro.
            A cabana era incrível toda de madeira com um misto de rustico e moderno. Fui até onde ficava o quarto. Sem os futons o ambiente ficava meio vasio. Nayana estava mexendo em um dos armários de parede onde estavam os futons. Decidi colocar as malas dentro do armário assim que ela terminasse.
            Enquanto mexia em algumas coisas ela deixou cair um caderno de desenho. Foi engraçado ver a pressa com que ela o recolheu. Só ai que me lembrei...
- Uma passagem era para o melhor conto e a outra para o melhor desenho com o tema Japão...  – disse olhando para ela.
Ela corou um pouco mais do que já estava- não foi grande coisa...- respondeu olhando para mim de costas meio envergonhada.
- Posso ver? – Perguntei interessado.
Ela demorou um pouco, mas logo me entregou o caderno. Eram imagens incríveis, paisagens estonteantes pintadas a lápis de cor.
- São só rascunhos - adiantou ela.
- São incríveis, vejo o porquê queria vir para cá – disse virando e apontando uma das paisagens, um chafariz rodeado de sakuras enfeitando um parque tipicamente japonês – Queria desenhar uma tendo a passagem ao vivo para se inspirar?
-Sim – Respondeu ela sorrindo.
- Entendo – disse me levantando e levando as malas para por no armário ao lado das dela, fiquei mais a vontade ao conversarmos.
- E você? – Perguntou-me.
- Também queria inspiração... – respondi e sorrindo para ela – Vamos Jantar? Estou louco para comer sushi!
- Somos dois – disse sorrindo a mesma frase que disse no aeroporto há algum tempo.
Ela foi preparar a mesa enquanto eu pegava a comida na geladeira. Parece-me que não será tão problemático dividir o quarto com uma garota afinal, talvez seja até divertido...

*Yukata – roupa tradicional Japonesa, um tipo de quimono usado em eventos.
*Sakura – Arvore de cerejeira, cujas pétalas possuem um tom de rosa. 
               *Futon – Espécie de saco de dormir usado pelos japoneses no lugar da cama para obter mais espaço no ambiente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Capitulo 1: Hatonosu


  Música Tema:        
02 - April Fool.mp...
  
          O show de luzes no fim da tarde na cidade de Hatonosu era incrível, vários painéis começavam a serem acesos e as telas gigantes penduradas nos prédios exibiam propagandas coloridas e animadas. Mas isso eu vi há meia hora, antes de entrarmos na estrada que levava as montanhas, onde não havia postes e para completar entramos em uma neblina espeça.
                Tenchi foi de motorista e eu fui atrás com a Nayana. A Ranger cabine dupla enorme. No veiculo ninguém falava nada, talvez fosse o cansaço. Eu olhei para Nayana que havia perdido o sorriso do rosto e se encolhia em um canto grudada em uma das portas. Confesso que também estava preocupado, não víamos nada a um bom tempo.
                - Tenchi, consegue enxergar alguma coisa dai? - perguntei.
                - Sim – disse calmamente me olhando pelo retrovisor - A neblina é normal já que estamos em uma área de fontes termais...
                - Não sabia, há termais na hospedaria também? – perguntou Nayana menos nervosa e voltando seu interesse para a conversa.
                - Sim... Vocês verão quando chegarem lá... Tudo bem ai atrás? Você está bem ou costuma ficar enjoada nas viagens normalmente?
                - Não estou enjoada... Só um pouco preocupada com a escuridão... – respondeu ela corando um pouco - ... Obrigado por se preocupar...
                Me impressionei um pouco com a pergunta de Tenchi, pensei que ele era mais fechado mas parece que se importa muito com os outros.
                - Que tal uma musica? – perguntou ele a nós dois.
                Olhei para Nayana que acenou com a cabeça e acenei também.  Tenchi começou a mexer no radio com uma das mãos e logo colocou em uma radio.
                O som parecia ter acalmado um pouco mais Nayana, e não demorou muito para enxergarmos a impressionante paisagem da qual fazia parte a hospedaria no morro mais baixo de um enorme vale ligado por uma ponte de madeira, uma grande escadaria levava á entrada da hospedaria e um fino riacho fumegante atravessava o vale.
                - Bem-vindos a Hospedaria Sora – disse Tenchi no seu tom reservado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Prologo: Uma semana no Japão

Música Tema:

08 - AYAKASHI.mp3
Ayakashi é o nome japonês para todo tipo de criatura fantástica, demônios, espíritos, monstros, todos estão presentes nesta categoria. Quando comecei a pesquisar o termo para encontrar material para meus contos nunca achei que ia me deparar com alguma, mas, como muitas vezes, talvez eu tenha me enganado...
Assim foi o inicio do conto com o qual concorri em um concurso valendo uma viagem para o Japão.
                Bem, tornei-me um grande fã do sobrenatural através das histórias em quadrinhos japonesas (os mangás), mais tarde acabei aderindo a parte mística de outras culturas, greco-romana, egípcia, mas minha primeira paixão foi a japonesa.
                Por esse e por outros motivos me inscrevi nesse concurso de uma de minhas revistas. Deus sabe como ganhei...
                Agora me encontro aqui no Japão, em um aeroporto em Hatonosu no distrito de Okutama.
                O problema agora era: o que eu faço?
                Apenas em deram a passagem e disseram que o guia ia estar me esperando – pensei ao procura-lo.
                Não demorei muito para como todos nota-lo. Um homem de camiseta de mangas curtas e óculos escuros segurando uma placa escrito Otávio e Nayana, não tinha como passar despercebido, ele era muito alto, mais alto do que eu, tinha cabelos escuros e parecia mestiço de japones.
                -Olá!- Chamei enquanto carregava minha bagagem para perto.
                Ele me olhou e deu um sorriso meio forçado.- Otávio, que bom chegou bem. Muito Prazer meu nome é Tenchi - disse enquanto estendia a mão. -Como foi a viagem?
                - Boa! – disse sorrindo enquanto retribuindo o aperto de mão. – Mas então, estamos esperando a outra ganhadora, nayana certo?- perguntei apontando para a placa.
                - Na verdade ela já chegou só foi ao banheiro.- respondeu ele perdendo o sorriso forçado de antes e a transformando em uma cara séria .
                - Sei... por acaso não está frio lá fora? – perguntei preocupado.
                - Nem tanto, eu não sinto muito frio... – disse dando de ombros.
                - hum... mas eu estou morrendo de frio... – disse puxando a mala para perto para encontrar um casaco mais quente.
                - Somos dois! – Disse uma voz feminina cheia de animo as minhas costas.
                Me virei para encarar a autora da fala e vi a outra ganhadora da viagem, Nayana, ela tinha um longo cabelo castanho claro e olhos muito verdes, estava com um sobretudo verde com muitos casacos por dentro e uma touca.
                - Olá, muito prazer! – adiantei-me a cumprimenta-la.
                - Bom parece que já podemos ir – falou Tenchi já se virando enquanto olhava um relógio de bolso.
                E eis ai o começo da minha “uma semana” no japão...

Olá a todos (será que alguem vai ler isso?)!!!!!

Primeiramente olá a todos ou a ninguém... !!
Gostaria de começar aqui uma coletânea sobrenatural, artigos sobre criaturas fantásticas e poderes sobrenaturais apresentadas atravez de uma narrativa.
                São narrativas fictícias, porem grande parte das informações culturais são autenticas.
                Espero que gostem!! ^^