| null.mp3 |
Acordei com o sol batendo em meu rosto, eram cerca de 8:30, me levantei e dei uma espiada onde deveria estar a cama de Nayana, aparentemente ela já estava de pé, olhei para a mesa da sala e vi um pacote e um bilhete.
No bilhete estava escrito “de Tenchi” e como o pacote já se encontrava aberto julguei que se fosse algo para mim e para Nayana ela já tomara sua parte.
Dentro do pacote havia um belo yukata com o brasão da hospedaria Sora.
Vesti o presente e notei que a porta estava entreaberta. Fui até a janela ao lado desta e de lá fora vi Nayana em frente a um painel de pintura, já com o yukata, no parapeito que dava de frente para o vale.
Fui até lá, sentei no murinho do canteiro de flores e comecei a vê-la pintar. A pintura estava apenas no começo, mas já era de se admirar, os traços, as cores era tudo incrível, ela estava perdida em seus traços, estava distraída de tal maneira que não me viu chegar.
- Está ficando muito bom - falei com a voz meio rouca de quem acabou de acordar.
Ela deu um pulo de susto e me encarou meio pálida – que susto Otávio! – disse enquanto se acalmava.
- Por que o susto? Estava fazendo algo de errado por acaso – ri ao perguntar.
- Claro que não! – Respondeu ela corando – apenas fico envergonhada de me verem pintar.
- Por quê? A pintura está incrível!
- Não pela pintura... – e interrompeu o dialogo e começou a olhar atentamente para a floresta no outro lado da ponte onde havia uma clareira – O que é aquilo? – perguntou apontando para alguns arbustos que se moviam.
- Não sei, mas já vou descobrir! – respondi me interessando e já indo para a ponte, podia ser uma raposa, ou algum outro animal.
- Otávio espere, pode ser perigoso! – gritou Nayana correndo para me alcançar – não sabemos o que pode ser.
- Nada de muito perigoso provavelmente – respondi dando de ombros quando ela me alcançara.
Fomos nos aproximando e o alvoroço nos arbusto se intensificava a cada passo.
- Estou ficando com medo – sussurrou Nayana que agarrou meu braço a um solavanco mais forte dos arbustos, isso me desconcentrou um pouco e tentei disfarçar enquanto corava.
- Onde estão indo? – disse forte uma voz conhecida atrás de nós.
Nayana deu um pulo de susto e eu surpreso logo virei o rosto para o interlocutor.
Tenchi estava encostado na viga de madeira que sustentava uma das extremidades da ponte usando um yukata da hospedaria, porém mais bordado, enfeitado e tradicional, olhei novamente para os arbustos e estes estavam parados novamente o que quer que fosse foi embora.
- Que susto! Dois em uma manha! – disse Nayana se acalmando enquanto se escorava em mim, aparentemente havia perdido a força das pernas.
- Essa parte da hospedaria não esta aberta a visitas, há vários animais perigosos nas florestas dessas montanhas, aranhas, cobras, raposas...- alertou Tenchi
- Imaginei que poderia ser uma raposa, vimos algo se mexer nos arbustos, vim checar, raposas não são tão perigosas Tenchi – respondi calmamente com um sorriso inocente no rosto.
- Isso porque não viu a verdadeira natureza de uma- respondeu Tenchi sorrindo após uma risadinha, o que me chocou - gostariam de um café da manha? – perguntou num tom cordial.
- Seria ótimo – respondi rindo um pouco após essa revelação, Tenchi também ri.
Nayana que aos poucos foi se recuperando do susto nos acompanhou ainda se apoiando em mim até casa principal da hospedaria que ainda não nos foi apresentada.
Era enorme, a mobília e a arquitetura interna e externa da casa combinavam com a das cabanas dos hospedes.
- Aqui, fica o restaurante – levou-nos Tenchi, até uma sala com uma vista para o vale e algumas mesas de jantar – sentem-se, por favor – indicou Tenchi o lugar com a melhor vista.
- A hospedaria está vazia Tenchi? – Perguntou Nayana
- Sim, não há hospedes atualmente além de vocês dois – respondeu – só um momento já mando trazer o cardápio.
Ele saiu nos deixando sozinhos.
-Err... gostaria de sentar? – perguntei a Nayana que havia afrouxado um pouco o aperto em meu braço mais que não o soltara.
Ela olhou para meu braço e corou um pouco ao solta-lo – Claro...
Puxei a cadeira para ela e sentei no outro lado da mesa. Afundados novamente no silencio não consegui arranjar outro assunto se não o que estaria por traz dos arbustos – O que será queestava lá?
- Nem desconfio – Respondeu Nayna sem me encarar, parece que a distancia que eu havia quebrado na noite anterior havia se triplicado.
Não falei mais nada e logo veio Tenchi com os cardápios.
Comemos vários pratos típicos, deliciosos e bem feitos, e Tenchi nos chamou para conversar após o café.
- Hoje desejam sair para algum parque, por ser domingo nada abre, o que acham?- perguntou-nos.
- Seria interessante, a Nayana poderia pintar algum quadro não é? – perguntei olhando para ela que corou um pouco mais concordou com um sorriso tímido no rosto.
Fomos com Tenchi até alguns parques cercados de Sakuras, era incrivel, o Japão, lugar que eu sempre quis visitar e eu estava nele, podendo ir onde quisesse, ou quase... Nayana parou em um destes, esboçou um quadro e disse que pintaria na hospedaria devido à hora do almoço estar chegando.
Fomos de novo ao restaurante, onde novamente comemos ótimos pratos.
- querem sair novamente à tarde? – Perguntou-nos Tenchi após o almoço.
Olhei para Nayana e ela respondeu – Por mim podemos passar o resto da tarde na hospedaria – e olhou para mim que concordei.
Ouvimos algumas conversas altas na cozinha, parecia estar havendo alguma discussão, porém não entendia uma só palavra dita em japonês.
- Podem ir indo, depois os encontro – disse Tenchi serio olhando para a porta da cozinha.
O barulho secou assim que ele entrou, Nayana o acompanhou com os olhos desconfiada, mas logo fomos andando.
Vai voltar a pintar o vale? – perguntei enquanto voltávamos para onde ela deixou a tela.
- Sim, e você? – perguntou.
- Eu vou... – Parei devido à estranheza da visão, um animal verde, parecia um sapo, mas tinha o tamanho de um bebe humano, estava no local aonde vimos os arbustos se mexerem - O que é aquilo? – perguntei apontando para o animal.
Ela olhou, e estremeceu- não faço nem ideia.
Corri até lá e aos poucos fui distinguindo a forma, o animal mastigava um pepino, possuía um casco parecido com o de uma tartaruga, e possuía algo parecido com uma planta na cabeça, fazia sons idênticos a de um bebe, e ao me aproximar ele veio farejar meus pés, porém não com um focinho, mas com algo que lembrava m bico de pato.
Não havia duvidas, aquilo não era um animal, era um Kappa*!
Eu estava tão atônito que não notei Nayana se aproximando de mim.
- O que é isso? – perguntou...
Não tinha como responder me agachei e comecei a afagar a cabeça da criaturinha que começou a se apoiar em mim e apalpar meu rosto.
Não pude segurar o riso, eu achei um Yokay, uma ayaakshi, algo que não é exatamente desse mundo ou não era para ser.
O pequeno kappa olhou para Nayana e engatinhou até ela, ela assustada soltou um rito e tentou se afastar, porém tropeçou e caiu sentada um pouco atrás de mim.
O pequeno também se assustou e correu chorando para o meu colo, eu fique de pé com ele no colo e comecei a acalma-lo – calma... calma ninguém vai e fazer mal... – ele começou a sorrir, e eu soltei uma risada – Incrível!
- O que e essa coisa o que é incrível? - Perguntou-me Nayana em pânico.
O kappa começou a olhar assustado para traz, não para onde estava Nayna, mas um pouco mais para trás e lagrimas de medo começaram a escorrer de seus olhinhos negros.
- O que você fez? – perguntou novamente uma voz conhecida, cujo dono eu poderia ter deduzido se não fosse à cólera transmitida.
Antes que me virasse Nayana havia se agarrado a minha cintura com os olhos cheios de lagrimas devido ao terror. Virei-me lentamente e lá estava Tenchi, porém seus olhos antes castanhos haviam tomado um tom vermelho sague.
- O que eu havia dito! – com seu rosto distorcido pela raiva, e o terror me invadindo também, segurei firme o kappa e a mão da Nayana pronto para correr a qualquer momento...
..........................................................................................

SÓ CONSIGO DIZER QUE TE AMOOOOOOOOOOOO!
ResponderExcluir